sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

"VIDA VIVIDA"

Quem disse que sou um covarde. Sucumbindo ante as dificuldades? Quem disse que sou corpo feito de alimentos? A Vida não é figura de cera, não é figura de gesso. Eu sou ciclone, sou furacão, sou redemoinho. Eu transformo o ambiente, como se dobrasse um arame, No aspecto que eu desejo. Eu sou uno com a poderosa força, que criou o Universo. Eu sou a própria energia. Que da atmosfera faz o relâmpago, que transforma os raios solares em arco-íris, que faz eclodir do negro solo as rubras flores, que faz explodir os vulcões. E que criou o sistema solar a partir da nebulosa. Que é ambiente? Que é destino? Na hora exata, quando eu quiser, Eu me liberto do mais triste destino. Como o peixe que se esgueira pelas fendas. Não sou ferro, Não sou argila, Sou Vida. Sou energia viva.
Não sou matéria inerte. Moldada pela situação ou pelo destino. Eu sou como o ar: Quanto mais comprimido for, mais força manifesto. Tal como a bomba explode a rocha. Eu sou Vida que, no momento certo, rompe impetuosamente a situação ou destino. Sou também como a água. Nenhuma barreira poderá represar-me. Se barrarem a minha passagem, colocando grandes pedras no meu leito, converter-me-ei em torrente, cachoeira, e saltarei impetuosamente. Se me fecharem todas as saídas, eu me infiltrarei no subsolo. Permanecerei oculto por algum tempo, mas não tardarei a reaparecer. Em breve estarei jorrando através de fontes cristalinas. Para saciar deliciosamente a sede dos transeuntes.Se me impedirem também de penetrar no subsolo, eu me transformarei em vapor, formarei nuvens e cobrirei o céu. E, chegando a hora, atrairei furacão, provocarei relâmpagos e trovões, desabarei torrencialmente, inundarei e romperei
quaisquer diques e serei finalmente um grande oceano."
("Vida Vívida", Masaharu Taniguchi)

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